quinta-feira, 16 de maio de 2013

Os Usuários Invisíveis: como a internet excluiu um continente


O texto que segue foi originalmente publicado em papodehomem.com.br
Quando me mudei para um bairro tradicional de imigrantes em Lyon, passei a ter um contato muito maior com estrangeiros de toda parte do mundo. Na França, a maior parte dos trabalhadores estrangeiros é oriunda de países africanos: nigerianos, senegaleses, algerianos e muitos outros; dessa maneira, passei a seguir de perto seus hábitos e frequentar quase que diariamente seus espaços de convivência.
Certa vez notei as dificuldades de uma amiga do Quênia de acessar certos serviços em seu smartphone. Foi ouvindo seu relato e depois pesquisando que descobri que a sempre democrática internet havia segregado um continente quase inteiro da sua rede.
A Internet não liga pro continente africano
A Internet não liga pro continente africano
Com a popularização dos computadores no final do século XX e começo do XXI, passamos a acreditar veementemente na democratização do conhecimento. Falamos em um mundo onde a velha mídia não detinha mais poder absoluto sobre a informação e onde você não precisava convencer uma editora para que as pessoas lessem aquilo que você escreve. Esta idealização da internet é uma ideia um tanto bonita, porém muito utópica e que não leva em conta restrições de classe social e especificidades regionais.
No caso de países em desenvolvimento (termo que eu detesto, já que ele assume que certo países pararam no tempo) como o Brasil, esta questão não é tão clara quanto na Europa e na América do Norte. Ainda que a cultura da internet esteja presente nas classes sociais mais pobres (entre os jovens), ela engatinha de maneira lenta, tendo seu acesso muitas vezes limitado a redes sociais populares. O quadro parece ser muito mais agravante quando olhamos para o continente africano e para certos países asiáticos de regimes autoritários.
O autor estadunidense Thomas Friedman, em seu livro The World is Flat (O mundo é Plano), lançado em 2007, alega que este seria o novo estado do planeta, já que vivemos em uma era onde as pessoas podem “se conectar, jogar, competir, se informar, falar e colaborar de maneira mais igualitária”. Sua opinião sobre tecnologia é uma grande representação do que é chamada de “ideologia californiana”, que diz que a internet criou um campo de disputas limpo e igualitário para a manifestação de opiniões e o acesso de informação.
No entanto, o que funciona para a Califórnia não é necessariamente verdade para o resto do globo.
O governo Chinês (e outros governos autoritários na Ásia como a Coréia do Norte e o Vietnã) são bons exemplos de lugares onde uma pessoa não pode simplesmente usar o Twitter ou buscar informações sobre certos assuntos no Google. No entanto, o caso destes países é particular porque se trata de um problema político, onde é necessário conquistar uma abertura maior para estabelecer este “paradigma do mundo plano”.
Computadores de segunda mão são tudo o que eles possuem pra se "conectar" com um mundo que não lembra deles
Computadores de segunda mão são tudo o que eles possuem pra se “conectar” com um mundo que não lembra deles
O continente Africano se mostra um caso muito mais complexo. Primeiro porque é muito difícil falar do dele num âmbito generalista, dado o seu tamanho e suas infinitas especificidades. A segunda razão é que, ao contrário dos problemas de censura, aqui temos outros fatores que se tornam obstáculos, desde a precariedade da infraestrutura até o posicionamento das demais regiões do globo em relação ao continente africano.
Em particular, a África subsaariana parece ser um lugar que não existe para o mundo da internet.  A britânica Jenna Burrell, em seu livro Invisible users (Usuários Invisíveis), nos conta a respeito de sua experiência em Gana, nas Lan houses de Accra, onde a autora realizou um estudo acerca dos jovens usuários de Internet locais.
A primeira especificidade que notamos sobre Gana e sobre a maior parte dos países da região (Costa do Marfim, Benin e etc) é que o uso do computador é mais comum em Lan houses e cyber cafés do que em casa. Este locais, normalmente montados com PCs de segunda mão vindos da Europa ou da América, concentram todos os dias uma boa quantidade da população jovem da região, que vê nestes cafés a melhor oportunidade de acessar redes sociais e trocar mensagens com seus amigos.
A pobreza e a precariedade de condições não são os únicos empecilhos. Quase todos os países da África Subsaariana tem economias completamente baseadas em dinheiro físico, o que restringe completamente a possibilidade destes jovens de comprar coisas pela rede. Mesmo que a cultura dos cartões de crédito chegue um dia até lá, os sites ocidentais parecem ter uma visão extremamente negativa do continente, e normalmente consideram qualquer visitante ou usuário africano como algum tipo de calote ou tentativa de fraude virtual.
A autora Jenna Burrell descobriu isto da pior maneira possível, durante a sua pesquisa, quando ela tentou acessar a gigante Amazon (que mesmo durante viagens pela América Latina ou a Europa é facilmente acessível) e o site imediatamente resetou o seu password e começou a mandar avisos para o seu email sobre um possível hackeamento.
O Paypal fez mais ou menos a mesma coisa, dizendo que não trabalhava na região e a levaram a completar uma série de medidas de segurança que terminaram com uma verificação pelo celular estadunidense da autora, que obviamente não funcionava em Gana.
Um dos vários cafés pra acessar a Internet
Um dos vários cafés pra acessar a Internet
Boa parte do trabalho de Burell consistiu de acompanhar diariamente a vida destes jovens em Gana, procurando saber mais sobre suas estórias e motivações. Antes da chegada da Internet, era muito comum que estes meninos tivessem amigos por correspondência no exterior e eles usam a rede para tentar reproduzir este tipo de experiência, usando sites como o Yahoo Chat.
Outros jovens procuram pessoas para fazer negócios ou entrar em contato com os amigos. No entanto, as barreiras culturais parecem sempre ser grandes e levar a pequenos desentendimentos de ambas as partes. Um rapaz reclamou que seus correspondentes não entendiam direito o que ele queria. O mal entendido ocorreu quando ele decidiu entrar em salas de bate-papo cristãs para procurar parceiros de negócios, pois acreditava que os cristãos seriam honrados em seus compromissos. No entanto, o jovem de Gana não obteve nenhum sucesso até perceber que todos as outras pessoas conectadas só queriam discutir a bíblia.
Uma garota afirmou que costumava procurar relações com pessoas que estariam dispostas a lhe dar presentes. Normalmente, isso gerava uma reação muito negativa com os usuários europeus ou estadunidenses. O tópico claramente soaria estranho para brasileiros também, que pensariam se tratar de algum tipo de esquema. No entanto, para a cultura de Gana e da Nigéria, a troca de presentes é um dos aspectos mais básicos e comuns do cotidiano. Muitos jovens não conseguiam entender bem o porquê dos pedidos por presentes resultarem em bloqueios e expulsões quase que imediatas das conversas e salas de bate-papo.
Estas descontinuidades culturais também são reforçadas pela grande assimetria material, a percepção simplista da riqueza do ocidente e da pobreza na África, e também pela forma apressada e direta de falar destes africanos, que por não terem computadores em casa, são obrigados a pagar por minuto sua conexão.
O problema maior é que de simples dificuldades de comunicação a internet parece ter entrado em um âmbito ainda pior, a completa exclusão de determinadas regiões do globo baseadas tão somente em mecanismos de geolocalização. Isso ocorre, por exemplo, com boa parte dos sites internacionais de relacionamentos, que efetivamente bloquearam países como Gana e a Nigéria e não podem ser acessados de lá.
Para os residentes desta parte da África subsaariana, existem dois tipos diferentes exclusão:
  • A falha na hora de incluir estas culturas;
  • O bloqueio completo.
Estar na frente de um computador, na África subsaariana não garante contato direto com o mundo
Estar na frente de um computador, na África subsaariana não garante contato direto com o mundo
No primeiro caso, temos o ecommerce como um todo, que não possui soluções para integrar uma economia baseada em dinheiro vivo (como cartões-presente adquiridos em lojas físicas). Representando o bloqueio completo, temos sites como Amazon, Paypal, todos os produtos da Apple, Plentyoffish e etc, que não podem ser acessados desta região do globo. O blogueiro nascido em Gana, Koranteng, que mantém um blog sobre a questão, sumarizou o problema:
“Se nós levarmos em conta que o ecommerce é um componente para cidadania moderna global, nós africanos somos todos uma espécie de imigrantes ilegais e nossa participação na modernidade é, no máximo, marginal.”
Estes exemplos mostram que os jovens internautas africanos se vêem completamente excluídos de alguns dos recursos mais simples da internet, coisas que mesmo em países como o Brasil são consideradas mais do que normais.
Esperamos que esta situação seja provisória e que, com o constante barateamento da tecnologia digital, este quadro possa ser revertido.
Hoje já vemos que tanto a África do Norte quanto a África do Sul avançaram significativamente neste território. A Primavera Árabe, como movimento político, poderia não ter decolado sem a ajuda de uma classe jovem que decidiu usar a internet como ferramenta para se encontrar, marcar e organizar protestos.
Se os países do ocidente começarem a reconhecer os africanos subsaarianos em termos de maior igualdade, ou até mesmo enxergá-los como um mercado em potencial, estaremos mais próximos do sonhado “Mundo Plano” que Thomas Friedman declarou em 2007.
Felipe Velloso

Carioca erradicado na França, Felipe Velloso se formou em História, mas largou os tomos empoeirados e os arquivos para viver a vida de redator e escritor. Apaixonado por quadrinhos, games, literatura e cinema, Felipe hoje se prostitui de maneira literária pelo velho continente.

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terça-feira, 23 de abril de 2013

Governo anuncia medidas para desonerar produção de etanol...

Governo anuncia medidas para desonerar produção de etanol...
Governo anuncia medidas para desonerar produção de tablets...
Governo anuncia medidas para desonerar produção de carros...
Governo anuncia medidas para desonerar produção de linha branca...
Governo anuncia medidas para desonerar produção de celulares...
Governo anuncia medidas para desonerar produção de quê?

Sim, tudo muito bom, extremamente positivo, mas para quem? E até quando?
Quanto pagaremos por tudo isso mais à frente?

Medidas emergenciais? Emergentes a que?

Tudo muito bom, mas sem um interesse sequer em uma reforma fiscal, tudo isso acarretará um preço, e, esperamos, não muito alto.

Quanto vai custar estes "baldes d'água" eleitoreiros?

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Visita...

Bom, o que postar? Há muito que nem eu passava mais por aqui, quanto mais pensar em ver alguém lendo algo aqui. Penso que não sou o melhor nestas divulgações, mas continuo...Afinal, trata-se de um exercício. Para mim é importante exercitar a escrita, curto bastante isto.
Tenho a intenção de estar presente, continuar postando, mesmo que só eu leia, mas continuarei...quem sabe não encontro mais algum "maluco" por aqui?

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Shakepeare,,,

"quase sempre nos queixamos do pouco que nos falta e esquecemos de agradecer o muito que temos..."

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

8 coisas que você precisa entender sobre pessoas para liderar equipes

Você é um gerente financeiro de uma companhia? É o vice-presidente de operações? Ou quem sabe o diretor de desenvolvimento? Não importa. No fundo, você é um gestor de pessoas. Independentemente da indústria, da empresa, ou mesmo do título do cargo, todos os gerentes são gestores de pessoas, toda gestão é uma gestão de gente.
"No primeiro instante em que um profissional se torna gerente, deixa para trás o papel de 'contribuinte individual', no qual ainda era avaliado pelo seu próprio desempenho. Competente, assume a nova função e, de uma hora para outra, passa a ser responsável por muito mais do que imaginou alguma vez produzir por conta própria. Nesse momento, sua responsabilidade passa a ser sobre toda a produção de sua equipe", comenta Pablo Aversa, sócio da Alliance Coaching.
Para o especialista em carreiras, o profissional que é responsável pelos resultados de um grupo de pessoas precisa saber algumas coisas importantes sobre gente:
Pessoas são indivíduos
Independentemente das generalizações que virão a seguir, é importante lembrar-se de que não existem duas pessoas iguais. Elas têm sonhos individuais e preocupações individuais. Suas mentes funcionam de forma diferente. Ouvem e enxergam de forma diferente. E, principalmente, são motivadas por coisas diferentes.

Pessoas são imprevisíveis

Ficam com raiva. Ficam preocupadas. Algumas vezes choram, ou gritam, ou se isolam (e ainda fazem beicinho). Não importa o quanto já tenha trabalhado com gente, você nunca vai estar completamente seguro de como vão reagir.

Pessoas são egoístas

Pessoas cuidam de si mesmas. Sabem que ninguém, nem mesmo o esposo ou a esposa, está tão preocupado com seu bem-estar quanto elas mesmas. Podem até não saber qual é a melhor forma de conquistá-lo, mas sabem muito bem o que consideram ser o melhor para elas e correm com afinco atrás disso. Algumas são melhores que outras nesse aspecto, mas pode ter certeza: todas desejam esse bem-estar.

Pessoas são generosas

Se as pessoas são egoístas, como então também podem ser generosas? Veja, são generosas porque, mesmo quando cuidam de si, trabalham de forma colaborativa para ajudar os demais a chegar lá. Elas vão correr atrás primeiro daquilo que consideram sua fatia justa, mas, tão logo conquistem seu quinhão, vão cuidar dos demais.

Pessoas são volúveis

O que funcionou na semana passada, ou mesmo ontem, pode não funcionar hoje. A recompensa ou o desafio que motivou alguém anteriormente pode não mais funcionar, simplesmente porque algo mudou no universo dela.

Pessoas são medrosas

Algumas pessoas são mais medrosas que outras. Outras escondem isso melhor. Mas todo mundo tem medo de algo. Seja o medo de perder o emprego, de parecer tolo na frente dos demais ou de não alcançar a meta pela primeira vez em dez anos, não importa: todos nós temos medos. E até que você lide com os medos delas, as pessoas vão continuar a se focar naquilo que as preocupam, em vez daquilo que você quer que elas façam.

As pessoas são um barato

A somatória das individualidades acima é o que acaba fazendo com que as pessoas sejam interessantes. E mais: isso é o que faz com que elas sejam um barato. Como gestor de gente, você nunca terá um dia chato. Alguns dias serão melhores que outros. Alguns dias vão fazer você querer gritar e espernear. Mas, com certeza, nenhum dos seus dias vai ser chato. Agora, se você não curte gente, não se envolva com gestão, pois isso vai acabar sugando todo o prazer que, de alguma outra maneira, o seu dia poderia lhe proporcionar.

Gente quer ser liderada

Como gestor de gente, você deve ir além e ser líder de gente. Se você não liderar as pessoas, alguém vai. Pode ser outro funcionário do departamento (afinal, liderança é uma habilidade, não um atributo que vem com o cargo) ou pode ser um gerente de outra área. O ponto é que, com certeza, elas vão seguir alguém e alguém será o líder delas.
"Sempre procuro lembrar meus clientes que as pessoas não podem ser empurradas muito longe ou por muito tempo, mas certamente podem ser conduzidas por um longo caminho", afirma Aversa. Para ele, é trabalho do líder ficar à frente, compartilhando uma clara visão e conduzindo sua equipe ao longo da jornada.
Em suma, para ser um gerente, o profissional deve ser um gestor de pessoas. Cada uma delas é única, da mesma forma que o executivo que ocupa a gerência também é. Portanto, é necessário encontrar o que motiva cada um dos funcionários e o que os desencoraja; usar a singularidade deles para harmonizar as habilidades disponíveis e montar um time fora de série. Mais do que isso, é importante se posicionar à frente e liderar, ou seja, ser um gestor de gente.
 

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Estratégia...

"Ou você tem uma estratégia própria, ou então é parte da estratégia de alguém" (Alvin Toffler)

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Você decide: o que fazer na hora de assumir essa responsabilidade?

É hora de retomar algumas atividades, uma delas a escrita...mesmo que algumas postagens não sejam de minha autoria, mas vale a atividade mesmo assim...

Abraço!

Tomar decisões é algo que fazemos com frequência e muitas vezes sem nos darmos conta disso. Existe um grupo de decisões que poderíamos classificar como "triviais" (comuns, banais) que vão desde escolher a roupa pela manhã até optar por ir ou não ao cinema à noite, que se caracterizam por sua aparente irrelevância (pouca importância). O que define o sentimento de importância é o resultado que esperamos dessa decisão. Nos exemplos que mencionamos, as decisões poderiam adquirir maior importância em contextos excepcionais como uma reunião com o "board" da empresa ou a possibilidade de iniciar um romance. Nesses novos contextos, a escolha da roupa ou a decisão de ir ao cinema podem trazer consequências significativas.

Mas também existem decisões "críticas", aquelas que, desde o princípio, sabemos que terão grandes consequências em nossas vidas, como mudar de emprego, terminar um casamento, fazer um curso de pós-graduação, mudar de cidade, casar ou ter filhos. Nesses casos, costumamos dedicar mais atenção às opções e tentar imaginar o que vai acontecer em cada caso.
E talvez valha a pena considerar também aquelas decisões que não são muito importantes para nós, mas que podem impactar a vida de outras pessoas, como fazer uma doação para uma instituição de caridade, ser ríspido com a recepcionista de uma loja, deixar suja uma mesa de lanchonete ou ajudar uma pessoa em dificuldades.
Imagem: Thinkstock
No ambiente empresarial as coisas ocorrem de forma similar, com a diferença de que a maioria das pessoas tende a ser mais leviana nas decisões pessoais. No trabalho, a sensação de que precisaremos prestar conta de nossos atos está sempre presente, em maior ou menor grau. O ambiente costuma exercer forte influência sobre a maneira pela qual tomamos a decisão e esse "fator humano" nem sempre é considerado pelos gestores das empresas. Espera-se, no mundo dos negócios, que as pessoas tomem decisões racionais, objetivando o melhor resultado possível para a empresa.
Pense nas decisões que tomou na última semana em seu trabalho e avalie se foram puramente racionais e pautadas exclusivamente pelo resultado esperado para a empresa. Se você realizou o exercício proposto com razoável dose de honestidade, deve ter concluído que em boa parte das decisões você considerou outros fatores além do resultado para a empresa.
Pode haver decidido encobrir o erro de um colega, dar para um cliente simpático um desconto maior do que seria necessário, atrasar a entrega de um trabalho para não perder um compromisso pessoal, deixar de fazer alguma coisa que seria boa para a empresa simplesmente porque não foi solicitada e você não era sua "obrigação" ou, no sentido contrário, resolver problemas que não eram seus ou superar suas metas como forma de melhorar sua imagem profissional. Em todos os exemplos que mencionamos (e outros que só você conhece) as decisões foram afetadas por fatores pessoais e emocionais, que nem sempre cabem em modelos lógicos ou matemáticos aplicados a processos de decisão.
Mesmo em decisões mais relevantes como a do lançamento de um novo produto, a abertura de um novo mercado, o fechamento de uma unidade, para a qual as empresas mais organizadas elaboram planos de negócio consistentes, a atitude dos executivos diante do risco e outros fatores pessoais pode interferir na decisão ou na execução do projeto.
Existem fatores contextuais, alheios ao problema em si, que podem interferir no processo decisório. Aspectos culturais da organização estão entre os primeiros da lista. Há empresas onde o "erro" é punido de forma severa e, portanto, decisões que envolvam maior risco são evitadas. Há outras que privilegiam decisões consensuadas ou que, ao contrário, são extremamente hierarquizadas – em ambas, as opiniões pessoais têm forte influência no processo de decisão.
Questões pessoais (profissionais ou familiares) disputam o espaço de influência. As relações competitivas no trabalho, problemas de saúde, questões domésticas e a agenda pessoal, como exemplos, podem afetar a atenção ou a intenção do profissional.
Características psicológica ou sociais, competências e experiências individuais podem determinar a "zona de conforto" do profissional e também interferem em seu processo de decisão, porque podem influenciar o "peso" que damos aos fatores.
Alguns exemplos:
- indivíduos que sofreram perdas recentes e ainda não assimilaram essa perda podem aceitar riscos maiores do que aceitariam em condições normais para tentar recuperar o que perderam;
- indicar um resultado como a redução de uma perda pode ser menos atrativo do que defini-lo como um aumento do ativo (ter um desconto menor x receber um pagamento maior);
Esses dois exemplos são genéricos e tendem a afetar a maioria das pessoas.
Mas também devemos considerar que os indivíduos se comportam de forma diferente diante do risco, por características genéticas, culturais, familiares, educacionais ou situacionais.
Uma pessoa solteira e com grande respaldo financeiro pode ser mais ousada em suas decisões profissionais do que um chefe de família endividado que precisa do seu salário para sobreviver.
Personalidades empreendedoras dão maior atenção à possibilidade de ganho e costumam ignorar os riscos menores.
Personalidades conservadoras dão maior peso para o tamanho das perdas do que para as probabilidades de perder ou ganhar.
O estudo da influência do fator humano nos processos decisórios empresariais vem ganhando espaço no mundo acadêmico, mas pouco se fala sobre isso dentro das organizações, onde ainda se parte do princípio de que todas as decisões são tomadas (ou deveriam ser tomadas) a partir de critérios puramente racionais.
É um efeito dos resquícios "iluministas", suportados pelas escolas filosóficas contemporâneas que privilegiam as abordagens racionais e científicas, ignorando as emoções.
Os avanços da neurociência (a partir da segunda metade do século XX) e o crescente interesse pelo "resgate da espiritualidade" em suas mais diversas formas, incluindo as influências orientais, aproximam a ciência e os indivíduos a endereçarem um novo olhar sobre essa questão.
Mas a aceitação de que o "fator humano" irá interferir em todas as fases do processo e a avaliação e seleção de profissionais com perfil adequado à implementação das decisões seguem sendo pontos críticos para o sucesso da organização.

Fonte: www.administradores.com.br por Flávio Ferrari

terça-feira, 15 de maio de 2012

Passada...

Fazia tanto tempo que eu nem lembrava mais como era estar aqui,bacana... Bom, pretendo voltar com mais freqüência, pelo menos para os poucos que por aqui também passam...abs!

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Atendimento...?

Já está mais do que na hora de voltar a escrever...
Tanta leitura, tanto trabalho, tantos relacionamentos, pra que? Pra nada? Deixar o que? Bom, sempre falei aqui de como deve ser o atendimento, o relacionamento com o cliente, mas, na prática, de que isso tudo adianta? Sim, estou revoltado, pois nem estou falando como cliente, falo como alguém que atende pessoas todos os dias e que convive com muitas pessoas que atendem outras tantas...
Apesar de sabermos da necessidade de se cuidar do cliente como se fosse o único, na prática não é o que acontece. A verdade é que 90% dos atendentes não estão nem aí pra nada que não o salário. Então, como agir, ou reagir, a este cenário? Sim, também estou sem respostas. Mas eu sou assim mesmo, no momento da indagação eu não sei o que responder, logo depois de pensar um pouco eu tenho a resposta à altura. Infelizmente este logo depois pode ser um tanto tarde.
Porque não valorizar os talentosos? Porque não pagar melhor os apaixonados? Sim...estou pensando...
É claro... eles naturalmente ganham mais...e,  são mais felizes...e,  fazem o que fazem de modo alegre, apaixonado...isso, a resposta está saindo...todos ganham, ganha o cliente (eu) que saio mais satisfeito pela atenção recebida, pelo bom tratamento que me foi prestado e ganha o atendente. Ganha o atendente mais dinheiro (comissão, todos sabem o que é? Se não sabe comece a se preocupar), ganham a atenção do cliente, ganham mais do que a atenção, ganham o respeito, a admiração e a gratidão do cliente, além de ganhar a satisfação do dever cumprido, coisa rara, acreditem...

Ah, ganha também a empresa, ganha o retorno do cliente, (ele voltará) ganha em rentabilidade, há uma pré-disposição em pagar mais pelo melhor, ganha em “buzz”, sempre se falará bem de um bom atendimento...
Hoje ouvi de um professor, o Zito da ISVOR, que o pior não é perder uma venda, mas sim as outras 19...ou seja, a perda de uma venda está embasada em uma série de critérios, mas a perda do cliente está diretamente relacionado ao mau tratamento dispensado ao mesmo...

Vamos pensando, nos atualizando, refletindo, corrigindo...vamos lá!!!